domingo, outubro 15

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Gillo Pontecorvo

O cineasta italiano Gillo Pontecorvo, considerado o mestre do cinema histórico e social por filmes como "A Batalha de Argel" e "Ogro", morreu em Roma, aos 87 anos.

Pontecorvo morreu na quinta-feira à noite na Policlínica Agostino Gemelli, na capital italiana, e será enterrado na segunda-feira em uma cerimônia privada. O corpo está sendo velado no Campidoglio, a prefeitura de Roma, onde os cidadãos e amigos do cineasta poderão lhe dar o último adeus durante todo o fim de semana.

Nascido em Pisa (norte da Itália) em 19 de novembro de 1919, em uma família judia, Pontecorvo teve que emigrar para Paris junto a seu irmão Bruno, após a perseguição dos judeus pelo ditador italiano Benito Mussolini. No exílio, começou a fazer contatos com a resistência italiana e aderiu ao Partido Comunista em 1941, no qual militou durante muitos anos.

Começou a coordenar ações dos guerrilheiros a partir de Piemonte e Lombardia, regiões no norte da Itália. Pontecorvo se graduou em química, mas preferiu trabalhar com o jornalismo, dirigindo a revista comunista quinzenal "Pattuglia" (Patrulha) desde 1978 e sendo correspondente em Paris.

"Paisà", o filme de Roberto Rossellini de 1946, foi o que incentivou Pontecorvo a se colocar atrás das câmeras e a entrar no mundo da sétima arte. Seu primeiro grande filme foi "A grande estrada azul", de 1957, baseado no livro "Squarcio", de Franco Solinas. Em 1960, Pontecorvo começa sua etapa de cinema histórico e social com a produção de "Kapò", ambientado em um campo de concentração nazista: conta a história de uma judia que, para salvar sua vida, passa para o lado nazista. O longa contou com Susan Strasberg, Emmanuelle Riva e Laurent Terzieff no elenco. Seu grande momento chegou em 1966, com "A Batalha de Argel", filme com o qual ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Com estilo de documentário e carregado de tensão, Pontecorvo realizou o filme com os mesmos protagonistas da luta da libertação argelina e reconstruiu os sangrentos confrontos entre os soldados do coronel francês Mathieu e os combatentes da Frente de Libertação Nacional da Argélia, de 1957.

Pontecorvo também será lembrado por suas famosas discussões com Marlon Brando durante a filmagem de "Queimada" (1969), sobre o colonialismo, que, no entanto, acabaram em uma grande amizade entre os dois. Em 1979, dirigiu "Ogro", sobre o terrorismo basco e o atentado do grupo terrorista ETA que matou o almirante Luis Carrero Blanco, presidente do Governo (primeiro-ministro) durante a ditadura de Francisco Franco, em Madri. O filme, com música de Ennio Morricone, teve participação de Féodor Atkine, Fernando Chinarro, Ángela Molina, Eusebio Poncela, José Sacristán, Ana Torrent e Gian Maria Volontè, entre outros. Aos poucos, Pontecorvo foi abandonando a ficção e se dedicou à realização de documentários, como o que fez em 1992 para a televisão pública italiana "RAI" chamado "Retorno à Argélia". Uma de suas últimas obras foi o documentário "Um outro mundo é possível" (2001), rodado junto com outros diretores italianos sobre os protestos durante a reunião do G8 em Gênova, em 2000.

Nos últimos anos, Pontecorvo dizia que, para realizar um filme, o tema deste tinha que entusiasmá-lo e que atualmente não encontrava nada que lhe proporcionasse essa emoção. De 1992 a 1996, foi diretor do Festival de Cinema de Veneza.

Hoje, o atual presidente de "La Biennale", Davide Croff, qualificou Pontecorvo de "grão-mestre da direção e um grande amigo de Veneza que soube ser um diretor do festival apaixonado, dinâmico e um organizador incansável e criativo".

agência EFE

texto da Kata, no Carta Maior..é bem por ai

*acho injusto. esta semana noticiar a ida de dois e não poder noticiar a chegada de outros dois...mas todo filme tem um fim. perguntem a Tarkovski sobre tempo espaço*

*Biena, Mostra...e final de novela. o Principio da Incerteza..exceto a de que numa terça ou segunda beberei e verei o ano em que meus pais...o mais esperado até agora...*

*dia 03 de novembro ele será devidamente homenageado por gente da sua estirpe e classe..no Borneu..e eu vou estar lá. Batalha de Argel é OBRA PRIMA*

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

La intervencion de don Manuel Fraga Iribarne en los cambios en el guion de Queimada.......

terça-feira, outubro 17, 2006 9:04:00 AM  

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